quinta-feira, 31 de julho de 2008

A imagem como método para valorizar a cultura e a memória local


Fábio Peres descobriu uma criativa maneira de fazer seu trabalho de pesquisa em educação.
Seu projeto é sobre educação alternativa na Costa da Lagoa


Estou fazendo o mestrado na UFSC, na linha de pesquisa de educação e comunicação. Fui para Costa da Lagoa fazer uma oficina de vídeo com as crianças no Engenho de Farinha da Vila Verde a convite da estudante de história da UDESC, Gabriella Pieroni, que realizava o projeto “ Rodando Engenho: Vivenciando a Cultura da Costa da Lagoa”. Começamos aos sábados à tarde, de maneira bem espontânea, eu colocava a câmera não mão das crianças , elas filmavam brincadeiras, entrevistavam pessoas da comunidade, e assim, montamos um primeiro vídeo que se chamou “Filmando engenho”. Durante a farinhada de 2006, as crianças continuaram  filmando e fizemos o segundo vídeo, chamado “ Rodando Engenho”, que será projetado na farinhada deste ano na comunidade, explica Fábio.

Para que servem as imagens?
A imagem serve para que as pessoas se vejam, discutam, valorizem sua tradição e cultura.  O distanciamento que gera a imagem projetada  ajuda as pessoas a se enxergarem, a se ver de fora. E, ao perceberem as imagens que as crianças captaram,  surge uma discussão no grupo em relação as mesmas. Nesse momento de discussão, se geram sentidos, respeito pelo que são, identidade cultural. Aí a educação pode ajudar nesse aspecto, da formação da identidade. A utilização da imagem serve para  valorizar a cultura local e a memória da comunidade .

Como a educação formal trata o tema da cultura local?
Grande parte das escolas trata a cultura local  de uma forma folclórica, não a valorizando dentro do contexto das transformações históricas atuais. O currículo escolar por exemplo, não dá conta de contextualizar a influência da mídia, pois está preocupado em transmitir conteúdos de forma caduca, podemos dizer. Mas, é claro que existem escolas que estão abertas a novas práticas de ensino, que buscam trabalhar com o conhecimento de forma que estimule a reflexão e a consciência crítica dos mais jovens.

A educação formal  poderia incorporar a imagem como método?
Com certeza, as escolas podem incorporar esta metodologia com facilidade. Hoje, os preços dos equipamentos caíram muito, até com um celular se pode filmar. Os professores deveriam estar preparados para lidar com tecnologia e transmitir isso aos alunos, isto ajudaria a  fazer uma leitura critica dos meios de comunicação, a  interpretar essas mensagens que vêm pela televisão , a saber colocar em contexto essas imagens  e ver isso a partir do lugar deles no mundo, de conhecer sua identidade. Saber lidar com imagem serve para se proteger de mensagens de fora que nem sempre são boas para estas comunidades.

No dia 26 deste mês foi projetado o documentário que vocês fizeram, “Rodando Engenho”. Como foi recebido pela comunidade? Você seguirá seu trabalho na comunidade?

Este vídeo já havia sido exibido na Farinhada de 2007, este ano produzimos uma versão mais curta. Foram exibidos também no cine engenho, vídeos de outras comunidades de Florianópolis que vivem em contextos culturais semelhantes, um deles chamado “Meninos do Engenho”, realizado por crianças de Santo Antônio de Lisboa, também foi exibido um documentário sobre a pesca da tainha no Campeche. Neste semestre as atividades da oficina de vídeo serão retomadas, as crianças interessadas podem procurar a Antônia no Projeto Rodando o Engenho da Vila Verde, no ponto 8 da Costa da Lagoa.

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