O conhecimento nunca deixará de ser a essência do homem,
mas já fugiu a muito tempo do domínio da escola.
da espelham os anos 70, quando o giz, o caderno e o lápis eram as ferramentas essenciais da aprendizagem, contrapondo-se aos ambientes familiares de alunos, onde a tecnologia da informação enseja o acesso a fontes de conhecimento dos quatro continentes. O paradoxo delata velhas e surradas teorias pedagógicas, que impõem comportamentos imperiais de professores, diante de bocejos e sonolência de aprendizes. Soma-se a isso o pobre homem público, para quem ainda hoje à escola, para ser moderna, basta ter um prédio novo.
A criança do terceiro milênio já, aos dois anos, dedilha no teclado do computador e se inquieta diante do inimaginável mundo virtual. Aos cinco anos, diverte-se com jogos e mais dois anos são suficientes para agitar-se no ludo de palavras e de segredos do messenger, do orkut e de outros programas. E justamente no sétimo ano de idade, em pleno vigor da impaciência, precisa sentar-se diante do professor, por três horas diárias, a ouvir teorias. E, assim, a escola submete-o a um calvário, imposto pelo ritual de uma sociedade ainda perplexa com mudanças bruscas desencadeadas pela instantaneidade da informação.
A escola perplexa assusta-se cada vez mais com a evasão de alunos. A universidade, mesmo pública, culpa as novas gerações de omissas em leitura e pesquisa. O mais hilariante é que, enquanto os jovens desassossegam-se em busca de novidades, a escola insiste no ritual velho para tentar ensinar o novo. No mundo moderno, não há mais formação por segmento. A aprendizagem é contínua e a escola precisa ingressar nessa velocidade e deixar de ser segmento.
A escola precisa ensinar o jovem a aprender. O conhecimento nunca deixará de ser a essência do homem, mas já fugiu a muito tempo do domínio da escola. E esta ainda nem desconfiou.
Laudelino José Sarda, Jornalista e Professor
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário