segunda-feira, 21 de abril de 2008

O PODER PÚBLICO NÃO PODE ABANDONAR A BARRA DA LAGOA!


“A união da comunidade é o caminho para resolver os problemas de segurança”, afirmou Gilson Bittencourt, ex-presidente do Conselho Comunitário
da Barra da Lagoa e comissário da Polícia Civil.



Entrevistado pelo Leste da Ilha sobre a questão da segurança pública, Gilson Bittencourt foi enfático: “Lamentavelmente, estamos em decadência na questão de segurança. Por exemplo, no ano de 1988 a Barra tinha a metade da população que tem agora e havia uma sub-delegacia com 7 policiais, onde se registravam 100 ocorrências por ano. Agora, não temos delegacia e os moradores têm que ir até a Lagoa para fazer uma ocorrência. Acredito que metade das ocorrências não são feitas pelo fato de as pessoas terem que transladar-se até lá, o que mascara muito as pesquisas sobre a segurança no bairro”. Para ele, “a Polícia Civil deve voltar ao bairro, porque o poder público não pode abandonar nossa comunidade, agora com 9 mil moradores!”

QUAL É A SOLUÇÃO?

“A comunidade deve unir-se, não adianta que apenas uma pessoa reclame ao prefeito ou a outro organismo. A comunidade organizada - com seus representantes, em conjunto com pessoas respeitadas da comunidade - deve juntar-se, debater e encaminhar aos órgão responsáveis os seus reclamos. A união da comunidade é o caminho para resolver os problemas de segurança e de outros setores, como saúde, educação, etc”.
Mas Gilson analisa: “Infelizmente a união e ação conjunta não estão acontecendo nas comunidades do leste da Ilha. Na Barra, por exemplo, as reclamações das pessoas são isoladas, não há um conjunto de pessoas organizadas. Estamos num momento muito difícil, pois o Conseg (Conselho de Segurança) está desativado, não temos banco, o posto Saci deixou de funcionar, etc. Onde estão as entidades da Barra?” perguntou Gilson, preocupado.

O PROBLEMA DOS BARES NAS NOITES

Quando perguntado sobre as reclamações dos comerciantes pelo fechamento dos bares às duas da madrugada, Gilson assim se manifestou: “Essa medida foi tomada pela quantidade de ocorrências que recebíamos à essa hora. Estatisticamente, este era o horário em que se registrava a maior quantidade de brigas, acidentes e conflitos. A medida ajudou a baixar consideravelmente as ocorrências no verão. Além do mais, o comércio no leste da ilha deve organizar-se para atender melhor aos turistas, não apenas ficar aberto a noite toda e não oferecer nada. É preciso pessoal treinado e um bom atendimento da parte de muitos comerciantes”, finalizou Gilson.



SAIBA MAIS SOBRE A QUESTÃO

Assassinatos aumentam 95,8% em SC

A situação da segurança pública no estado é muito preocupante. O número de homicídios em Santa Catarina cresceu 95,8% no primeiro trimestre de 2008 em comparação com o mesmo período do ano passado. Na Grande Florianópolis, que liderava o ranking de homicídios em 2007, os casos cresceram 42% neste ano.
O delegado Maurício Eskudlark atribuiu o aumento no índice de homicídios à banalização das mortes. Ele disse que no Bairro Jardim Atlântico, na Capital, um adolescente de 17 anos matou um rapaz que tinha criticado a bermuda que usava.
A delegada de homicídios da Capital, Eliane Viegas, disse que em muitos casos os autores de homicídios são adolescentes. Ela afirmou que a idéia de que os garotos apenas cumprem ordens de traficantes maiores de idade não é mais verdade.
Recentes e repetidas ocorrências em nossa região, mostra que o problema cresce também no leste da ilha. A comunidade requisita das autoridades medidas de prevenção e repressão da violência, como declarou o comissário Gilson Bittencourt.

0 comentários: