quinta-feira, 4 de outubro de 2007

ANIMAIS ABANDONADOS

O enfrentamento ético e responsável da questão dos animais abandonados pelas ruas das cidades passa necessariamente pela ação em três frentes:
a esterilização (castração), a promoção de adoção e a educação.


A esterilização evita o crescimento geométrico da população de cães e gatos. Uma única cadela pode gerar mais de quatro mil descendentes em quatro anos. A esterilização é um procedimento veterinário considerado simples e realizado sob anestesia geral. Programas públicos têm se equivocado ao direcionar as castrações apenas para os animais que vivem junto à população de baixa renda. Animais que vivem nas áreas mais “nobres” das cidades, muitos de raça, são postos para reproduzir e suas ninhadas, doadas ou vendidas, de forma comumente irresponsável, sem qualquer tipo de avaliação sobre o preparo e condições das pessoas que as receberão. Ou, quando indesejadas, são criminosamente abandonadas. Os programas devem ser mais abrangentes, irrestritos. A capacidade de pagamento da cirurgia por parte do “responsável” pelo animal não deve ser considerada, pois se trata do enfrentamento de um sério problema ambiental e de saúde pública, e interesses maiores têm que prevalecer.
Adoção - Para tirar os animais das ruas, prestar-lhes atendimento emergencial e rapidamente evitar a proliferação de doenças é necessário resgatá-los, cuidar de sua saúde e encaminhá-los para um lar. Hoje, o trabalho de promoção de adoção é feito por uma rede de protetores de animais e ONGs, sem qualquer investimento ou apoio do Poder Público. Dificulta esta ação o mito sobre a impossibilidade de se encaminhar todos os animais para novos lares, afirmação que carece de qualquer fundamentação científica. Ao contrário, as experiências como a do site É O BICHO! (www.eobicho.org), mostram que, mesmo se há poucos recursos, com criatividade e mobilização dos cidadãos é possível tirar das ruas milhares de animais, indicando ser viável domiciliar, se não a totalidade, a grande maioria deles.
Educação - A ação mais importante e imprescindível é a que atinge o principal responsável pela situação de abandono de cães e gatos: o ser humano. Trata-se da educação para a guarda responsável e para o respeito à vida e ao bem-estar dos animais. Nesta ação deveriam estar concentrados os maiores esforços, porém, é freqüentemente relegada a um segundo plano ou mesmo ignorada. Quando acontece, é comum cometer-se o erro de reforçar a visão de que animais são objetos, propriedade (posse) da qual as pessoas podem dispor da forma que bem entenderem, obrigando-os a uma obediência total que violenta seus interesses e deixando-os, assim, bastante suscetíveis ao abandono, já que não atendem às expectativas de seu “dono”. A falta de crítica à existência do comércio de animais é indício deste mau direcionamento.
Ação articulada - Finalmente, o gestor de um programa de controle populacional deve agir de forma descentralizada, buscando articular-se com as comunidades através das associações de bairro, igrejas e outras entidades. Um administrador que não tenha esta capacidade não estará apto a gerir um projeto desta envergadura.

Abandonar animais é crime federal, previsto no artigo 32 da Lei 9.605/98, e quem o comete está sujeito a uma pena de três meses a um ano de detenção e multa, podendo ser aumentada em um terço caso ocorra a morte do animal.

Maurício Varallo - Sentiens Defesa Animal - www.sentiens.net

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